20/10/2011

Tudo se aproveita...já dizia o Lavoisier!

Eu acho muito mais fácil, construir um instrumento do "zero" (cortar as madeiras, utilizar os gabaritos para o processo e não perder muito tempo com cálculos e "gambiarras"). Ou seja, sigo uma cronologia lógica e utilizando uma boa quantidade de dispositivos - assim a mente trabalha em piloto automático. Mas são justamente as adaptações e customizações que nos obrigam a ser versáteis e criativos...E tem outra... acho que "criar" hoje em dia....é muito relativo! A metalinguagem do ofício luthierístico segue a risca o que disse Antoine Laurent Lavoisier: "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" !!!!!!
Vocês concordam?
Neste caso...ou no caso desta guitarra... a "coisa toda" foi concebida com sobras, retalhos e partes abandonadas.
O corpo é de madeira poplar. Trata se de uma Jackson Tradicional com a famosa " piscina" ou "marmita" na parte central - para abrigar os captadores e outra cavidade padrão para inserção de tremolo do tipo Floyd Rose. Acho que era um corpo de reposição, que o fabricante envia para o representante (dealer) com fins de manutenção ou substituição. Paguei um preço módico e na verdade, a finalidade dessa aquisição seria para outro objetivo. Acreditem...iria adaptar esse corpo para ser um relógio de parede!!! Fiz o projeto e bolei os mecanismos...mas acabei comprando 3 corpos idênticos. Desta forma, decidi utilizar 2 corpos para guitarras de verdade e apenas um corpo para o tal do relógio.
Decidi fazer uma guitarra com listras a lá Eddie Van Halen, porém resolvi exagerar no conceito e utilizar peças que tinha disponíveis no meu estoque.
No corpo, tampei a cavidade da ponte enxertando pedaços de madeiras. Optei em não utilizar tremolo do tipo Floyd Rose, decidi utilizar a Wilkinson VS do tipo flutuante. Bolei as listras utilizando uma fita crepe e logo em seguida entreguei para o pintor.
Escolhi a cor amarela CET e as listras ficariam pretas...um encontro de Eddie Van Halen com Oz Fox (Stryper)! Mas o instrumento seria também chamado de "guitarra abelha", guitarra caterpillar, guitarra CET, guitarra Police Line don´t cross, etc...etc...
Enquanto o corpo estava na pintura, tinha que fazer o braço...E acabei encontrando 2 braços que estavam semi processados por mim. Coisa muito antiga - que abandonei por falta de tempo e falta de vontade de finalizar...
Fiz as medições com relação a ponte e um desses braços tinha a possibilidade de ser adaptado com medida de escala de 25 polegadas (similar a PRS). Mas com 24 trastes!
Retomei o processo do braço e finalizei em 3 dias ( não consecutivos). O corpo da guitarra veio e depois encaminhei o braço para a pintura.
Na foto acima, o corpo pintado e o escudo que decidi utilizar (preto perolado). Cortei um pedaço da chapa de acrílico e fiz um escudo tradicional...sem muita firula, bem típico!
Terminado a ergonomia do escudo, inseri os captadores (HH777 Hellbucker na ponte e HH777 Realbucker no braço), ambos preto/amarelo....para combinar com as listras. Knob de volume amarelo e chave de 3 posições. Bem simples!
Introduzi a ponte da Wilkinson (preta) na cavidade e montei a parte elétrica interna.
O escudo preto perolado ficou bom, mas senti falta de algo....resolvi então fazer a mesma coisa que fiz no corpo - colocar listras no escudo....mas criando um contraste: corpo amarelo com listras pretas, porém escudo preto com listras amarelas!!!
Para tal, comprei uma fita amarela de PVC para demarcação de solo e "me matei" cortando a dita cuja com um estilete de responsa...Logo mais abaixo, vocês poderão checar como ficou.
Posteriormente, o braço veio da pintura e estava com a cor alterada com relação a cor do corpo, mas sem problemas...mais contraste não faz mal nenhum....E o logotipo "vazou" ....ou seja, não ficou muito bom, mas "vamo que vamo"....
Coloquei um nut da Graphtech, excelente por sinal...fácil de instalar e muito prático!
Vista do corpo montado com as cordas. O contraste das listras do corpo com as listras do escudo chama a atenção. É rebuscado, mas produz um efeito de profundidade...de dimensão...
No início achei um exagero....mas aos poucos...fui acostumando....
Olha a guitarra montada: corpo de poplar, braço de marfim costeiro tipo extra (bem rígido, sêco e na radial), escala de cabreúva na radial bem escura (parece um ébano), captadores HH777, volume, chave de 3 posições, jack, ponte Wilkinson VS, tarraxas Wilkinson Ezy Lock, nut Graphtech, straplock Schaller e tensor Gotoh.
Bom, o captador da ponte está com o imã fraco. Vou pedir para que me mandem outro igual. O ganho do referido está mais baixo que o do braço. Mas é um detalhe bem simples de resolver com a substituição...acontece nas melhores famílias...(até pensei em substituir o imã, mas essa peça precisa voltar a fábrica para ser contabilizada e checada - em termos de controle de qualidade...mas já vou avisando que os HH777sss apresentam baixíssimo índice de defeitos...pelo menos comigo, este é o primeiro em 8 anos de parceria).
Coloquei cordas DR .010 Tite Fit...e antes da montagem final...fiz um nivelamento de trastes bem sutil. Em termos de tocabilidade, achei satisfatório. O tremolo não desafina as cordas e os timbres estavam muito bons ( apesar do captador da ponte estar avariado)...
Não tirei muitas fotos do processo e nem as quis colocá las aqui em grande quantidade! Pela simples razão de ser um instrumento a lá Frankenstein, achei que uma versão mais resumida seria melhor....
Na próxima, vou colocar detalhes e fotos de um contrabaixo que reformei...
Valews!

17/10/2011

Mudar é preciso....yeah


Mudar nem sempre é preciso, mas mudanças sempre dependem do nosso próprio esforço. De nossa capacidade de refletir tal propósito em nós mesmos. Nada como criar novos estímulos e novos desafios. Mudar sim, é preciso...
Encerrei um ciclo recentemente. Inicio outro a partir de agora. Começo sozinho e agradeço a receptividade dos novos parceiros que já encontro pela estrada!
Pra quem está num dilema, vai a dica: não tenha receio de mudar!

Novidades!

Oi galera, gostaria de agradecer a todos que encontrei durante a Expomusic: expositores, músicos, representantes, lojistas, alunos, ex alunos, amigos e gente nova que se tornaram amigos! A expo é um evento que nos proporciona rever as pessoas que conversamos o ano todo por email, Facebook, telefone, etc....é a oportunidade de conversar pessoalmente! Valew mesmo!
Logo depois da Expo, fechei 2 workshops no interior de São Paulo. São eventos que falo a respeito de luthieria, meu trabalho na escola de Luthieria, mercado de trabalho, os shows que trabalho e quando posso, faço um som.
Não estou divulgando esses workshops, porque ainda estou na fase de experimentação. Em 2012, com ou sem "profecia maia"...deverei dar continuidade com esses eventos, mas prometo divulgar...
Já fiz alguns em Campinas, Cuiabá, Rio Claro, Limeira, alguns aqui em São Paulo e provavelmente marcarei um ou dois este ano... ainda. Estou negociando a "ajuda de custo" com as empresas que me patrocinam. Todos os workshops que realizei até o momento, foram custeados pelos contratantes, o que onera muito o custo de produção. Vamos ver se conseguimos "baratear" e levar o workshop para mais locais.
Agradeço a todos que prestigiaram minha entrevista no site guitar experience! E vocês podem conferir no site, uma nova seção "Análise" - onde estarei fazendo testes com equipamentos!
Basta clicar aqui!
Um abrax a todos!

23/09/2011

Expomusic 2011


Oi galera, estarei dias 23, 24 e 25 na Expomusic. Pela B & H Escola de Luthieria, não estaremos com stand, apenas estarei circulando pela feira, revendo os amigos e bisbilhotando as novidades.
Será um prazer conversar com todos!
Apesar de ter um convite para o Rock´n´Rio, não estarei lá...sorry amigos do Rio! Mas valews pelas tentativas de hospitalidade! Em breve, irei visitar todos vocês!
Agradeço também a galera que curtiu e me mandou mensagens sobre a minha entrevista no Guitar Experience...e acabei me tornando colaborador do site, em breve: testes de equipamentos e minha coluna de dúvidas estará de volta, abrax a todos!

18/09/2011

Guitar Experience - entrevista comigo


oi Galera,
Fui entrevistado no Guitar Experience, website guitarrístico do meu amigo André Sampaio, entrevista conduzida pelo Alexandre Bastos! Vale a pena uma visita pelo site e quem quiser acessar mais rápido, basta clicar aqui!

15/09/2011

Expomusic 2011


Em breve, Expomusic (Feira de Instrumentos e Equipamentos Musicais) de 21 a 25 de setembro no Expo Center Norte. Estarei em breve divulgando as datas que estarei lá, apenas circulando e revendo amigos e empresas.
Mais info a respeito, acesse em Expomusic 2011

25/08/2011

HH777 Blade promoção rolando....


Um vídeo curto, testando o captador:
guitarra Washburn N5 com os captadores HH777 Blade (ponte e braço)
amplificador Rotstage CJ50 Plus signature head e caixa HH777 4 x 12"
sem efeitos, sem edição, som crú gravado pela camera....
Para a promoção, confira no site da captadores.com.br

11/08/2011

pickups HH777 Blade chegaram!

Finalmente, chegaram os captadores HH777 Blade...tanto para posição da ponte como do braço. Pedi para a Malagoli, que é a empresa que me patrocina (parceira de longa data) a versão " Zebra": creme e preto! Aliás, essa configuração Zebra é minha trademark!!!!
Esses captadores utilizam imãs cerâmicos ( os originais HH777, são de ALNICO). Esta é a segunda família, que além dos imãs, apresentam como peculiaridade em uma das bobinas, uma lâmina (por isso o nome "blade") posicionada do topo, que além de servir de pólo magnético, fornece um visual bacanudo.
Estes pickups apresentam particularidades em relação aos originais HH777:
- um timbre grave mais parrudo, que acentua a sensação de mais ganho!
- timbre agudo muito mais doce!
Ou seja, é uma versão bastante decente do HH777 original, porém com imãs cerâmicos!
Esses protótipos chegaram no final da semana passada e tirei essa fotinha abaixo:
Para a foto ficar um pouco mais informal, contratei um pinguim como figurante!
Escolhi uma guitarra que estava " encostada", desmontada e sem qualquer serventia musical. Uma Washburn N5 (versão antiga) que ganhei em 1998 do Kimura (um amigo japa que idolatra o Nuno Bettencourt do Extreme). E acho que tudo conspirou para que o "conjunto da obra" ficasse adequado!
Instalei os captadores na N5, mudei um pouco a parte elétrica (troquei a chave de seleção de lugar, coloquei um botão para splitar o humbucker da ponte e implementei o GR2 - que é um sistema de captação hexafônica para guitar-synth, na guitarra. E aproveitei para instalar uma nova ponte do tipo Floyd Rose (fornecida pela Malagoli) no lugar da original ( que estava desgastada).
Nas fotos abaixo, confira o visual da guitarra com os novos captadores HH777 Blade!

Testei os captadores com essa N5 em 3 amplificadores:
cabeçote Marshall Slash JCM com caixa 4 x 12 Meteoro
cabeçote Rotstage CJ50 Plus com caixa 2 x 10 Rotstage
cabeçote Landscape Predator 125H com caixa 1 x 12 Landscape
combo Sound Maker Destructor 212
Utilizei o som limpo dos amplificadores e para som sujo, escolhi pedais: OCD clone feito pela Hobbertt e um JackHammer da Marshall.
Não tem muito segredo e as comparações com os originais HH777 de Alnico foram inevitáveis. Essa nova versão "Blade" tem um grave mais encorpado e os agudos são mais comportados. De resto, são similares aos pickups da primeira família HH777! E logicamente, mudou o visual!
E falando em visual...a Malagoli vai disponibilizar as 10 primeiras peças numa embalagem especial que tem a minha assinatura e data! E dentro das embalagens, teremos palhetas de brinde! Na compra do kit (ponte e braço), o guitarrista estará participando de outra promoção, que será divulgada em breve no site:
olha só, as latinhas novas e assinadas...
foto da promoção, pickups instalados na N5 e a latinha!

Em breve, colocarei um vídeo com alguns sons desses novos captadores. Qualquer dúvida, basta enviar nos comentários!
Aproveito para agradecer aos emails e abordagens pessoais a respeito da postagem anterior referente a OMB (sobre a obrigatoriedade ou não da carteira de músico). A maioria da galera entendeu e curtiu a matéria. Mas sempre tem alguns que adoram "causar" e conseguiram ser mais polêmicos que o próprio tema abordado. Valew galera!

03/08/2011

Outra Vez...


Hoje fui criticado por ser portador da carteira de músico. É uma situação irônica, porque quem desconhece o fato de existir tal registro ou documento, se surpreende com a existência do mesmo e emite opiniões do tipo: “que legal, não sabia disso. Muito importante o músico ter respaldo e vínculo com entidade de classe”. Por outro lado...quem tem conhecimento de causa sobre o fato, sabe que as coisas não são tão “legais” assim...E muito irônico, porque a polêmica a respeito da obrigatoriedade ou não da carteira para o exercício da profissão (exigida pela Ordem dos Músicos de Brasil) é algo que beira o Sci-Fi...Para explicar de maneira simples: é necessário que os músicos tenham a carteira para tocarem em espetáculos, casas noturnas, bares, shows, gravações, para ministrarem aulas particulares ou em escolas, para produzirem eventos e etc...E a entidade fiscaliza e multa os estabelecimentos, quando os músicos não possuem a tal carteira. Segunda feira, tanto a Folha de São Paulo e o portal R7 publicaram a seguintes notas:
Se eu sou a favor ou contra? E o fato de possuir a carteira? Pois é, tipo de discussão que queima mais fogueira que lenha. E como diz um amigo meu: “é uma moeda de dois gumes”
Eu não sou um músico regular com uma carreira musical atuante. Sou luthier, técnico de palco e consultor técnico de empresas do ramo musical. Como luthier e professor de luthieria – tocar faz parte do meu trabalho para testar, ajustar e construir instrumentos. Como técnico de palco, tenho que preparar o backline para o show e muitas vezes, “passar o som” para os artistas. Como consultor, testo equipamentos e ministro workshops, eventualmente tocando e demonstrando produtos. Eu tirei a carteira de músico por uma única razão: porque me foi solicitada uma vez numa renomada casa de shows de São Paulo. Eu estava trabalhando como técnico de guitarra para uma banda gringa. Passava o som do palco, nos preparativos do show e o fiscal exigiu a apresentação da carteira. Um dos motivos – foi simplesmente porque o referido descobriu que eu era brasileiro. Porque se fosse estrangeiro, não teria sido desta forma. E nem sei como os produtores do evento resolveram essa “pendenga”, mas resolvi dar um jeito para não passar por isso. Não sou “musicondríaco”, mas na semana seguinte, fui providenciar a minha carteira.
Bom, eu sou 777% contra a ausência de critérios, da maneira como a carteira é gerida. Não sou contra a emissão da “tal”, mas acho que algo de melhor poderia ser feito com relação a isso.
E não é da boca para fora. Já estive lá na entidade e conversei com várias pessoas. Algumas inclusive muito solícitas e atenciosas, outras nem tanto... E só assim...descobri que o buraco é BEM mais embaixo...
Enfim...
Não sei se a Procuradoria Geral da República, ou se o Ministério Público ou o quem quer que seja, resolva deliberar a favor (do bom senso). Mas ainda estou cético em relação a isso. Ainda acho que decisões e deliberações isoladas, serão a tônica nessa questão!
Conheço muitos músicos profissionais renomados com uma carreira marcante que não possuem a carteira. Nem fazem questão. Estão acima disso e abriram mão de se apresentar em locais que a exigem. E conheço casos escabrosos de gente sem nenhuma condição musical, possuidoras das carteiras – galera que toca de graça ou por módicas quantias. E cadê quem cuide disso? Cadê quem regule isso?
Será que poetas, pintores, escultores e surfistas, não poderiam exercer habilidades, pela ausência de uma carteirinha?
É diferente da questão do risco social. Engenheiros, médicos, profissionais ligados à saúde, advogados e algumas profissões, como um técnico de edificações, são exemplos de ocupações que requerem um vínculo a entidades ou conselhos que fiscalizem a atividade. Justamente por causa do risco social.
Ok, ok, ok e eu sei, eu sei...música ruim também pode ser considerada como um risco social...(de modo irônico ou não). Fui criticado por ser conivente com a carteirinha e de usufruí-la quando conveniente. Ou seja, eu tive meus motivos para tê-la e eu cuido das minhas prioridades. Se tiver que trabalhar em alguma produção do SESC, prefeituras, instituições estaduais, federais ou em qualquer lugar que seja – tenho a carteira e vou continuar pagando...
Quanto a discussão...penso como Dale Carnegie: "A única forma de vencer uma discussão é evitá-la". Não que "discussão" precise ser vencida por uma das partes...mas eu não quero mais saber disso...

29/07/2011

Novos captadores HH777 Blade!


Não dá para ver direito, mas estou apontando para um novo captador protótipo que testei: um HH777 com imã cerâmico (uma das bobinas utiliza uma lâmina horizontal no lugar dos tradicionais pólos) - será o HH777 Blade. Em termos visuais, muda um pouco...a bobina da lâmina é de cor preta fosca, que combinada com a outra bobina preta (ou em outras cores disponíveis), proporciona um contraste visual que achei matador!
Em termos de timbre, o HH777 Blade soa mais pesado com uma pitada adicional de graves e um agudo mais doce. Os médios estão similares! E em termos de articulação sonora, o resultado me deixou bastante animado e satisfeito. Estou para receber o par (para ponte e braço) para testes finais. Esses novos modelos estarão disponíveis no mercado, em breve. E para um pouco mais "breve adiante", mais HH777´s, porém com visual semelhante aos EMG´s.
E lembrando que a versão do HH777 para 7 cordas também está disponível na loja virtual da Malagoli. Por enquanto, com bobinas apenas na cor preta.
Pois é, os HH777sss passaram a ser "commodities" para os timbres de muitos guitarristas e fico feliz que a galera tem gostado e prestigiado!

05/07/2011

Beehler & Hirax Brazil tour LIVE!

Dia de show é correria desde cedo. Para mim, esse show seria um pouco mais tenso que o normal. Explica se: dias antes descobri que tinha 2 pedras alojadas nos meus rins. Isso mesmo, uma pedra de 5 mm no rim esquerdo e uma pedra de 7 mm no rim direito. E justamente nesse dia, estava aguardando a confirmação do convênio médico para a realização de um procedimento médico para implodir uma das pedras (de 7 mm) para a semana seguinte. E logicamente, eu corria o risco de ter uma ou mais cólicas em pleno dia de trabalho....sem qualquer aviso prévio??? Mas nada como um pouco de adrenalina para apimentar nosso dia-a-dia!!!
Me preveni tomando medicamento para qualquer eventualidade e logo que cheguei no Carioca Club, recebi a confirmação do convênio médico –que tudo estava certo. Menos mal!
Adentrando as dependências da casa junto com a Paula, encontrei o Saulo que já estava no local. E ele estava deveras “tenso” com a equipe de sonorização. Informado da situação (discussão entre ele e o líder da equipe de som – e detalhe: ambos são descendentes de italianos – o que é pior que dois italianos discutindo? Certamente um japonês estressado!). Mais adrenalina! Então fui procurar o referido chefe da equipe de som e junto com um dos produtores colocamos os pingos nos “is”! E no final, deu tudo certo! As equipes trabalharam juntas e o show foi duca em termos de estrutura técnica!
A equipe da Só Palco (aluguel de backline) trouxe o equipamento as 11 horas. E reencontrei um amigo, o Izildo, que em tempos de outrora também trabalhava com transporte de bandas, quando eu era fixo na Via Funchal.
Conversa vai conversa vem...começamos a montagem do backline: primeiro a bateria e depois o posicionamento de cabos e microfones. Os amplificadores foram posicionados da maneira tradicional (de frente para o palco) e o layout teve apenas uma modificação que eu mesmo tive que decidir – posicionamento do stack do contrabaixo do lado direito da bateria. E decidi utilizar um cabeçote diferente de contrabaixo para cada banda (mantendo apenas uma caixa). Isso evita o superaquecimento de um único cabeçote.
O Hirax, pelo fato de ter apenas um guitarrista (nesta tour), ajustei um cabeçote de guitarra para duas caixas posicionadas de cada lado da bateria. Saulo trouxe um cabo longo e uma extensão, que serviu perfeitamente para o propósito.
Com relação a banda Beehler, durante as conversações com a banda por email, conseguimos convencê-los a utilizar um layout tradicional – para facilitar a questão técnica (Dan Beehler queria o praticável de bateria mais a frente....mas como conseguimos elevar a altura do praticável, ele seria notado pela audiência e não seria necessário o procedimento...sim, quando o baterista é o líder, tem dessas coisas). Imagine a trabalheira com relação a cabos, microfones e outros equipamentos que teríamos que mexer, durante a transição da troca de bandas...e num intervalo de apenas 30 minutos.
A montagem foi rápida e antes da passagem de som, toda a equipe e a produção foi almoçar no Shopping Eldorado. Coisa rara, mas que foi possível porque trabalhamos em ritmo de F-1.
Na volta, senti umas “pontadas” no rim direito... mas como tinha tomado a medicação...acho que minimizou a cólica. Confesso que fiquei um pouco preocupado, mas apertei o “foda se” e acho que funcionou. De volta a casa, deixei a seringa com a ampola preparada, mas nem precisei usar. A ameaça de dor sumiu!
Decidi que a banda Beehler pudesse passar o som primeiro e depois o Hirax. Muito simples: como o Hirax iria abrir o show, se eles passassem o som por último, o layout para a abertura do show estaria mantido. Logística pura! E sabia que o Hirax passava o som de maneira mais simples. Ou seja, além de ter um guitarrista a menos, eles seriam mais rápidos e mais dinâmicos.
Já a banda Beehler, passando o som primeiro, teria mais tempo para ajustes (principalmente com relação a bateria do líder, Dan Beehler) e pelo fato da banda ter 2 guitarristas.
E dito, feito e acontecido...foi da maneira que previ. Beehler gastou mais tempo no soundcheck. Hirax gastou o tempo necessário e quando terminamos, o palco estava pronto.
Uma coisa que aprendi ao longo dos anos. O tempo do encerramento da passagem de som, até o início do show é bem mais atípico....O relógio anda mais rápido. E desta vez, foi exatamente assim.
Com relação a equipe, eu fiquei do lado esquerdo do palco cuidando do baixista Steve Harrison do Hirax e Saulo ficou com o guitarrista Lance Harrison, do lado direito. Quércia ficou com o baterista Jorge Iacobellis e contou também com a ajuda da Paula (que cuidou também dos suprimentos de palco e fez o “corre corre” para nós.
O Hirax quase não nos deu trabalho. O show foi tranqüilo. Eu apenas tive quer desenrolar o cabo do baixista em algumas ocasiões, prender a correia dele durante o show e manter as cordas secas, limpando-as nos intervalos. O baterista teve alguns problemas no monitor, mas o som voltou e a adrenalina na hora do show contribui para que tudo fosse superado na raça!
O intervalo de uma banda para outra, o tempo acelera...mas a transição foi tranqüila. Um lance que vale como dica: na última música da banda de abertura, a gente começa a guardar as coisas e já deixa uma boa parte do equipamento da banda seguinte preparada. Ou seja, pedaleira no chão, amplificadores ligados e ajustados, guitarras preparadas e concentração nas conexões e modificações de set-up.
Para vocês terem idéia, não cuidamos apenas do equipamento e da parte técnica. Cuidamos dos líquidos, toalhas, suprimentos de reserva, armazenamento de equipamento (quando são 2 ou mais bandas, a encrenca é imensa), organização de camarim, acessos de palco, chiliques dos caras e ainda tem que sobrar tempo para um zoar com o outro!
Beehler no palco foi mais agitado. Os dois guitarristas se movimentam bem e um baixista que não pára de correr...foi insano! Mas tudo dentro da normalidade. Nenhum problema técnico, fiquei apenas controlando a temperatura dos amps, afinando a guitarra reserva, deixando as cordas secas no intervalo das músicas, cervejas no gogó do Sean e do Brian, toalhas prá lá e prá cá e sobrou tempo para zoar com a Paula e Saulo. Do outro lado do palco, Saulo e Quércia de boa, tranquilos e concentrados...até curtindo o show!
O Quércia (técnico de bateria) trabalhou conosco pela primeira vez e fez um trampo legal. Mas ele sofreu uma queda que arrancou “pele” e risos da galera...Mas escoriações fazem parte do noite-a-noite!
Encerrado o show, a parte mais desagradável: guardar as coisas e desmontar o backline. Depois de um dia inteiro, ninguém merece! Mas é importante guardar tudo em ordem e devolver o backline alugado nas mesmas condições que chegou. Nesse momento, o camarim vira uma confusão, uma zona, com muita gente e groupies circulado e prejudicando o trabalho. Por isso, os técnicos precisam de mais atençao para separar e manter tudo seguro. Quércia e eu ficamos no palco, Saulo e Paula iam e vinham dos camarins. Terminamos e desta vez, não conseguimos achar um bom lugar para jantar. Dia seguinte, Saulo e Paula tinham trabalho desde cedo e eu tinha que ir para Brasília continuar a tour....Aliás, nem faço muita questão de falar sobre Brasília: aeroporto, local dos shows, hotel e aeroporto...um roteiro bem típico p/quem faz tours...viaja se muito mas não se conhece os lugares direito...mas com relação a Brasília, apenas a visão do lago Paranoá...que de artificial não tem nada, me fez relaxar um pouco. E as pedras no rim, não me incomodaram...Mais uma tour encerrada e segue algumas fotos do backstage!
equipe reunida antes do show: Quércia, Pauleira, eu e Saulo
Equipe reunida depois da montagem do palco: Quércia, Paula, Saulo e eu
Guitarra do Sean (Beehler)
Contrabaixo do Brian Stephenson (Beehler)
Eu e Saulo, com a guitarra do Scott(Beehler)
Bateria montada para o Hirax
layout do lado esquerdo do palco, 2 half stacks Marshall e 2 cabeçotes Ampeg SVT-2 e caixa Ampeg 8 x10

Layout lado direito: 2 half stack Marshall JCM 2000
Hirax in concert
Jorge Antonio Yacobellis, baterista do Hirax
Hirax: Lance, Katon and Steve!!!
Hirax!!!
Dan Beehler, baterista e lider da Beehler
Dan Beehler
Scott, Brian and Sean Live!

Beeher Live!

22/06/2011

Beehler & Hirax Brazil tour 2011 - primeiro dia


Mais um show internacional! Fui contratado pela SG Entertainment para fazer toda a técnica do evento. Desta feita, duas bandas clássicas de Thrash metal que influenciaram muitas outras bandas da era oitentista: Hirax e Beehler (baterista do Exciter).
Para este show, me acompanharam o Saulo, a Paula - ambos trabalham comigo na B&H escola de Luthieria e chamamos o Quércia, baterista da banda do Saulo, que já foi roadie de várias bandas, como Mamonas Assassinas.
Um dia antes do show, eu e Saulo fomos até o hotel para os ajustes e regulagens das guitarras e contrabaixos. Como nenhuma das bandas possui técnico e roadie fixo, esse foi o procedimento decisivo para facilitar as coisas, principalmente no dia do show. Afinal de contas, duas bandas num mesmo show é certeza de correrias, imprevistos e o relógio anda mais rápido!
No hotel, o primeiro a nos dar boas vindas foi o baixista Brian Stephenson (ex-Annihilator) e o guitarrista Sean Brophy. Logo depois, encontramos a banda toda no restaurante do hotel: Dan Beehler, o guitarrista Scott Walsh e o técnico de som.
Logo subimos para o quarto de Sean e começamos os ajustes nas guitarras: duas LTD ESP Flying V, uma Gibson LP Standard, uma Fender Toronado, um baixo Gibson Thunderbird e um baixo Vantage Artist. Checamos os cabos, pedaleiras e defini o layout de palco com a banda.
Sean Brophy e Brian Stephenson...pelo jeito gostaram do nosso trampo...

Na sequência, voltamos para o restaurante, onde o Hirax terminava uma entrevista para o programa Leitura Dinâmica (para a Rede TV).
Veja nesse link, a matéria completa.
E subimos para o quarto do guitarrista Lance Harrison e o baixista Steve Harrison. Já sou amigo de Lance no Facebook, o que facilitou as coisas. Mas ambos trouxeram todos os instrumentos regulados e apenas checamos os pedais, cabos e defini também o layout de palco deles.
Reunião com o Hirax para definir o layout do palco...foto tirada pela Anne (esposa do vocalista Katon)

Steve Harrison(baixista) , eu e Lance Harrison(guitarrista).

O outro guitarrista do Hirax, Tim Thomas quebrou o braço e não pode vir para a tour no Brasil. Decidi com Lance utilizar duas caixas separadas - uma do lado direito e outra do lado esquerdo da bateria...para criar uma "leve ilusão sonora" de duas guitarras no palco, utilizando apenas um cabeçote. Na verdade, é um truque " bem manjado", mas funcionou bem.
O primeiro dia foi tranquilo. Terminada as regulagens e ajustes, Fomos com os produtores Fernando, Rodrigo, Beehler & banda, dar uma bisbilhotada no Carioca Club. A galera gostou da casa e aproveitei para definir os últimos detalhes técnicos com todos. Voltamos para o hotel e na volta…pegamos o costumeiro trânsito caótico da cidade em horário de pico!

Hirax -Steve Harrison, Antonio Yacobellis, Katon, eu, Lance e Saulo
Beehler - entrevista para a Rede TV.
Hirax - entrevista para a Rede TV

Em breve, colocarei a postagem sobre os shows! Valew galera!!!

05/06/2011

Mini Guitarra do Tiaguinho


Uma noite, navegando pela internet e postando fotos no Facebook, recebi uma mensagem da minha amiga Miriam. Era sobre a possibilidade de fazer uma guitarra para um sobrinho dela. O detalhe é que o referido, o Tiaguinho... só tinha 2 anos e a idéia, seria presenteá-lo com uma mini guitarra no aniversário de 3 anos.
A princípio, declinei! Sugeri uma guitarra de brinquedo, até pelo fato de que 2 ou 3 anos, ainda é muito novo para empunhar um instrumento de verdade, mesmo que mini....MAS....eu tenho meus dez segundos de reflexão (sempre!!!) e disse para a Miriam: “ Eu vou pensar algo a respeito...acho que gostei da idéia”...e não é que o cérebro começou a conspirar a favor!
Pensa, pensa, pensa...e pensa...e as idéias começaram a surgir!
Bom, o Tiaguinho tem menos que 3 anos e não tinha como fazer uma guitarra para ele tocá-la de verdade! A idéia seria fazer um mini instrumento que pudesse ser aproveitado como um brinquedo – para ele apenas se divertir apertando botões que soassem músicas rápidas.
Mas pensei: “poderia ser uma mini guitarra normal com captador e parte elétrica, trastes, ponte e tarraxas – tudo real”. Assim, daqui alguns anos, quem sabe! Ele tocaria a guitarra de verdade?
Com essa concepção, comecei a definir as dimensões da guitarra. Optei pelo modelo stratocaster, por motivos óbvios! É referencial de design clássico (ideal pro Tiaguinho) com ergonomia confortável e visual bacana.
Eu tenho uma mini guitarra da Chandler e aproveitei para fazer algo similar, mas acabei modificando vários detalhes: dimensões do corpo, medidas do braço, medida de escala e tamanho do headstock.
E para uma criança de menos de 3 anos, é importante utilizar peças e partes que não machuquem. Ou seja, perdi algumas noites lendo muito a respeito de normas técnicas para confecção de brinquedos para crianças.
E minha saga pelas lojas de brinquedos foi intensa. Eu nem tinha idéia do tipo de brinquedo que poderia adaptar na guitarra. A princípio, imaginei algo com botões que emitissem sons engraçados com luzes. Mas e pra achar algo assim? No início, minha peregrinação pelas lojas foi infrutífera. Fui em muitas lojas: lojas especializadas, lojas de variedades, lojas de 1,99, shopping centers e por ironia do destino, achei algo interessante bem perto de casa...quando já estava quase pensando em mudar tudo...Achei um controle remoto que emite sons engraçados. O brinquedo tem botões e era do tamanho desejável – pequeno e colorido. Na hora que visualizei o artefato, tudo ficou resolvido na minha cabeça!
Comecei a mini guitarra com sobras de pedaços de madeiras da escola. As peças, trouxe do meu estoque particular. E logicamente instalei o meu captadopr HH777, produzido pela Malagoli. Mas optei pelo modelo do braço, o modelo Realbucker de cor amarela.
Aproveitei os intervalos de aulas para fazer a mini guitarra. Foi tão rápido que eu mesmo me surpreendi! A princípio, a idéia era embutir os botões do controle remoto diretamente na madeira do corpo. Mas depois pensei melhor e resolvi colocar os botões num escudo perolado.
Desta forma, seria mais seguro – uma vez que a parede de madeira ficaria muito fina e poderia quebrar facilmente. Já com um escudo de acrílico, em caso de qualquer problema, bastaria trocá-lo. A cor da guitarra, a minha amiga Miriam concordou que o azul (do trenzinho do Thomas) seria o ideal.
No vídeo com o slide das fotos, vocês poderão acompanhar o “passo-a-passo” da construção. Gravei outros dois vídeos. O primeiro vídeo, apenas com o som dos botões embutidos. E o outro vídeo – gravei comigo mesmo tocando com cordas de guitarra! Para que todos pudessem conferir que o instrumento funciona de verdade, como uma guitarra!
Na ocasião da entrega, tirei as cordas de guitarra e coloquei cordas de náilon, para o Tiaguinho não se machucar. A mãe da Miriam (a Maria) confeccionou um “bag” para a guitarra e eu preparei um kit básico: correia, cordas de reposição e pilhas reservas.
Tiaguinho e família vieram aqui na escola num sábado de manhã e acho que não só o Tiago, mas a galera toda curtiu!
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Foi uma experiência bem legal, muitas vezes...a gente declina e abandona uma idéia, mas dez segundos de reflexão podem fazer a diferença quando decidimos encarar um desafio com criatividade e atitude. Só o fato de proporcionar ao Tiaguinho, uma inusitada lembrança do aniversário de 3 anos, já valeu a pena. E logo, logo, começo a fazer outra.....

olha o Tiago na festa de 3 anos...
eu, o pai (Norio), Tiaguinho, a mãe (Lina) e o avô(Shiguekyo).

a Tia (Miriam), a mãe (Lina), Tiaguinho, eu e o avô (Shiguekyo).

Apenas os sons do brinquedo

Os sons da mini guitarra com cordas e captador


Slide de fotos com a maioria dos processos de construção