Eu acho muito mais fácil, construir um instrumento do "zero" (cortar as madeiras, utilizar os gabaritos para o processo e não perder muito tempo com cálculos e "gambiarras"). Ou seja, sigo uma cronologia lógica e utilizando uma boa quantidade de dispositivos - assim a mente trabalha em piloto automático. Mas são justamente as adaptações e customizações que nos obrigam a ser versáteis e criativos...E tem outra... acho que "criar" hoje em dia....é muito relativo! A metalinguagem do ofício luthierístico segue a risca o que disse Antoine Laurent Lavoisier: "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" !!!!!!
Vocês concordam?
Neste caso...ou no caso desta guitarra... a "coisa toda" foi concebida com sobras, retalhos e partes abandonadas.
O corpo é de madeira poplar. Trata se de uma Jackson Tradicional com a famosa " piscina" ou "marmita" na parte central - para abrigar os captadores e outra cavidade padrão para inserção de tremolo do tipo Floyd Rose. Acho que era um corpo de reposição, que o fabricante envia para o representante (dealer) com fins de manutenção ou substituição. Paguei um preço módico e na verdade, a finalidade dessa aquisição seria para outro objetivo. Acreditem...iria adaptar esse corpo para ser um relógio de parede!!! Fiz o projeto e bolei os mecanismos...mas acabei comprando 3 corpos idênticos. Desta forma, decidi utilizar 2 corpos para guitarras de verdade e apenas um corpo para o tal do relógio.
Decidi fazer uma guitarra com listras a lá Eddie Van Halen, porém resolvi exagerar no conceito e utilizar peças que tinha disponíveis no meu estoque.
No corpo, tampei a cavidade da ponte enxertando pedaços de madeiras. Optei em não utilizar tremolo do tipo Floyd Rose, decidi utilizar a Wilkinson VS do tipo flutuante. Bolei as listras utilizando uma fita crepe e logo em seguida entreguei para o pintor.
Escolhi a cor amarela CET e as listras ficariam pretas...um encontro de Eddie Van Halen com Oz Fox (Stryper)! Mas o instrumento seria também chamado de "guitarra abelha", guitarra caterpillar, guitarra CET, guitarra Police Line don´t cross, etc...etc...
Enquanto o corpo estava na pintura, tinha que fazer o braço...E acabei encontrando 2 braços que estavam semi processados por mim. Coisa muito antiga - que abandonei por falta de tempo e falta de vontade de finalizar...
Fiz as medições com relação a ponte e um desses braços tinha a possibilidade de ser adaptado com medida de escala de 25 polegadas (similar a PRS). Mas com 24 trastes!
Retomei o processo do braço e finalizei em 3 dias ( não consecutivos). O corpo da guitarra veio e depois encaminhei o braço para a pintura.

Na foto acima, o corpo pintado e o escudo que decidi utilizar (preto perolado). Cortei um pedaço da chapa de acrílico e fiz um escudo tradicional...sem muita firula, bem típico!


Terminado a ergonomia do escudo, inseri os captadores (HH777 Hellbucker na ponte e HH777 Realbucker no braço), ambos preto/amarelo....para combinar com as listras. Knob de volume amarelo e chave de 3 posições. Bem simples!

Introduzi a ponte da Wilkinson (preta) na cavidade e montei a parte elétrica interna.
O escudo preto perolado ficou bom, mas senti falta de algo....resolvi então fazer a mesma coisa que fiz no corpo - colocar listras no escudo....mas criando um contraste: corpo amarelo com listras pretas, porém escudo preto com listras amarelas!!!
Para tal, comprei uma fita amarela de PVC para demarcação de solo e "me matei" cortando a dita cuja com um estilete de responsa...Logo mais abaixo, vocês poderão checar como ficou.
Posteriormente, o braço veio da pintura e estava com a cor alterada com relação a cor do corpo, mas sem problemas...mais contraste não faz mal nenhum....E o logotipo "vazou" ....ou seja, não ficou muito bom, mas "vamo que vamo"....
Coloquei um nut da Graphtech, excelente por sinal...fácil de instalar e muito prático!


Vista do corpo montado com as cordas. O contraste das listras do corpo com as listras do escudo chama a atenção. É rebuscado, mas produz um efeito de profundidade...de dimensão...
No início achei um exagero....mas aos poucos...fui acostumando....
Olha a guitarra montada: corpo de poplar, braço de marfim costeiro tipo extra (bem rígido, sêco e na radial), escala de cabreúva na radial bem escura (parece um ébano), captadores HH777, volume, chave de 3 posições, jack, ponte Wilkinson VS, tarraxas Wilkinson Ezy Lock, nut Graphtech, straplock Schaller e tensor Gotoh.

Bom, o captador da ponte está com o imã fraco. Vou pedir para que me mandem outro igual. O ganho do referido está mais baixo que o do braço. Mas é um detalhe bem simples de resolver com a substituição...acontece nas melhores famílias...(até pensei em substituir o imã, mas essa peça precisa voltar a fábrica para ser contabilizada e checada - em termos de controle de qualidade...mas já vou avisando que os HH777sss apresentam baixíssimo índice de defeitos...pelo menos comigo, este é o primeiro em 8 anos de parceria).
Coloquei cordas DR .010 Tite Fit...e antes da montagem final...fiz um nivelamento de trastes bem sutil. Em termos de tocabilidade, achei satisfatório. O tremolo não desafina as cordas e os timbres estavam muito bons ( apesar do captador da ponte estar avariado)...
Não tirei muitas fotos do processo e nem as quis colocá las aqui em grande quantidade! Pela simples razão de ser um instrumento a lá Frankenstein, achei que uma versão mais resumida seria melhor....
Na próxima, vou colocar detalhes e fotos de um contrabaixo que reformei...
Valews!












































