06/05/2010

Disseminação da música na internet

Essa matéria é especial para a minha amiga Jane, atendendo ao pedido dela...
Já a publiquei uma vez na revista Rock Brigade, numa versão resumida (editada a contragosto!)...então segue esta versão estendida e sem edição.

Não faz muito tempo que as pessoas compravam fita cassete para gravar os discos de vinil. Ou será que “realmente” faz muito tempo que as pessoas gravavam os discos de vinil em fita cassete?


De qualquer forma, as coisas mudaram muito e nem mesmo Tomas Edison – inventor do fonógrafo, imaginaria o que anda fazendo a tecnologia nos dias atuais.
Mas a fita cassete era legal. Era o dispositivo portátil e bastante compacto para escutar músicas. Caso a gravação tivesse sido bem feita, a qualidade de timbre da fita gravada poderia ser até melhor que a fonte original...acreditem...
E nem se falava em pirataria – “pirata ou bootleg”, eram os discos de vinil que continham registros de gravações ao vivo ou sessões de músicas consideradas não comerciais.
E para quem não sabe, no início da década de 80, os computadores de época utilizavam um gravador e fita cassete para armazenamento de dados – em virtude do alto preço das unidades de drive (disquetes).
Tanto para áudio como para o computador, a fita não era confiável. Suscetível a danos, arranhões, perda da cobertura, uso indevido, fatores externos e lentidão no acesso aos dados.
E já que falamos de computadores, uma década atrás, em 1971, a Intel lançava o primeiro microprocesssador – que posteriormente seria utilizado nos primeiros modelos de computador de uso pessoal.
Atualmente, associar fita cassete com computador é uma probabilidade pensável quando imaginamos uma pessoa querendo “digitalizar” um som gravado de uma fita cassete num programa de computador. Ou para recuperar a gravação criando um arquivo digital, ou para posteriormente divulgá-lo na internet. E falando em música na internet, chegamos aos dias atuais. Dias de cybertecnologia e cybercultura.

Foi um desses que comecei a gravar as primeiras fitas de discos de vinil (Alice Cooper, Deep Purple, Grand Funk e Mountain)...e foi num desses que eu usava para tirar músicas de "ouvido"...nem precisa dizer que detonei vários gravadores assim...

Sexo x MP3
Até um bom tempo atrás, a palavra mais digitada nos sites de busca era “sexo”. Hoje em dia, o termo “MP3” é um dos mais digitados, superando “sexo”. Isso mostra o poder da disseminação da música na internet.
O MP3 é um tipo de arquivo que compacta e comprime o áudio, sem perda de dados perceptíveis ao nosso senso auditivo. O termo MP3 é uma abreviatura de MPEG Audio Layer-3. Na verdade, anteriormente ao MP3, músicas ou áudio eram armazenados no computador em outro formato: o WAV. Mas necessitavam de muito espaço no disco rígido do computador. Com o surgimento do MP3 e conseqüentemente, maior possibilidade de compactação de dados. O MP3 proporcionou maior eficiência em relação ao espaço em disco. Com relação a possível perda de qualidade sonora, os arquivos de MP3 otimizam as nuances principais do áudio e eliminam as freqüências imperceptíveis ao ouvido humano.
Para se ter uma idéia: um minuto codificado em arquivo “WAV” (formato de áudio do CD), corresponde a aproximadamente 10 a 11MB. Esse mesmo minuto convertido em MP3, corresponde a 1 MB numa proporção de 10:1 ou 11:1. Ou seja, é possível armazenar a discografia completa de muitas bandas num único CD.
Em termos de qualidade sonora e num contexto geral – a compactação dos arquivos não interfere tanto no resultado final. Mas é possível notar diferenças, principalmente numa audição com equipamento profissional. No que diz respeito ao entretenimento, o MP3 causou uma revolução na internet e no cotidiano da cena musical. Atualmente, integrantes de bandas trocam demos em MP3 e tudo via banda larga na internet.
A possibilidade de conversão de arquivos musicais em formatos menores desencadeou o aparecimento dos “players” de MP3 – programas de execução de MP3 no microcomputador. Alguns programas bastante conhecidos: Winamp, MusicMatch Jukebox, Apollo e Cool Player.
Basta “baixar” (conhecido tecnicamente como download) o programa na internet. E para conversão de arquivos, a internet oferece uma grande quantidade de opções, procure por programas de encoders, decoders, codec e etc.
Já num contexto mais atual, para gravar MP3, basta colocar o CD de áudio no computador (unidade de disco) e utilizar um programa “ripper”, daí o termo “rippar um CD”. O programa passa os dados digitais da canção num diretório provisório para finalmente convertê-los em MP3. Muito fácil e rápido.
Se o computador estiver dotado de hardware de última geração, a operação dura menos que dois minutos.
Cuidado para não clicar no botâo acima, é apenas uma foto...ahahahahahaha!!!!

Troca-Troca
Com o advento crescente do MP3, um americano chamado Shawn Fanning desenvolveu um programa que permitia o compartilhamento de arquivos de MP3 pela internet: o Napster.
Além de ser uma excelente ferramenta de busca de arquivos musicais, o programa era engenhoso. Uma vez que não armazenava nada. O Napster possuía um índice de músicas e a troca digital de arquivos era feita dos próprios computadores dos usuários. Quanto maior a quantidade de usuários, maior o acervo de músicas. Engenhoso software, mas as gravadoras não gostaram.
Na época, com o ódio das gravadoras e pelos processos judiciais movidos por artistas como Lars Ulrich (Metallica) e alguns rappers americanos, o Napster perdeu. Mas o futuro estava delineado.
O Napster gratuito pode não ter funcionado mas o pontapé inicial estava dado. Guardadas as devidas proporções, é provável que algumas pessoas tenham a mesma idéia numa mesma época e que executem essa idéia simultaneamente, ou em pequenos intervalos de tempo – para menos ou para mais. É uma teoria válida que podemos sempre aplicar no mundo musical. Outros programas de compartilhamento surgiram e os softwares atuais mais conhecidos de compartilhamento música digital: eMule, Kazaa, Morpheus e Azureus.
Com o surgimento do iTunes – reprodutor de áudio implementado pela Apple Computer, para reproduzir, organizar e distribuir músicas digitais, a “música de bolso” deslanchou no mundo.

Ixi, essa foto resume bem a concepção de música portátil ou música móvel...é quase um décimo primeiro mandamento!

Música Portátil ou Música Móvel
O que diria Akio Morita? Para quem não sabe...esse japonês, mais dois outros funcionários da Sony criaram o walkman. A princípio, era apenas um capricho: escutar música enquanto trabalhava ou movimentava o corpo. Ou seja, inserir uma fita cassete num módulo tocador, colocá-lo no bolso ou no cinto e poder se movimentar. E eles criaram o conceito de “música portátil” que revolucionou o mundo e fez a cabeça e a “audição” de muita gente. E não poderia ser diferente com o MP3.




Walkman desenvolvido por Akio Morita e engenheiros da Sony...Eu tive um desses...era enorme
para os dias de hoje. Porém na época...era minúsculo...Quebrava um galhão (eita gíria das antigas...) qdo ia pra faculdade de ônibus...

Akio Morita - 1921-1999 - eterno presidente da Sony
O primeiro tocador de MP3 estava no cérebro de Tony Fadell. Ele foi contratado pela Apple em 2001, para desenvolver e chefiar o projeto. E apesar do desdém inicial da empresa, Tony conseguiu lançar o player de MP3 com sucesso. Nem mesmo o choque da tragédia do 11 de setembro (no mesmo ano), minimizou o êxito do lançamento do iPOD, que se tornou um ícone cultural.


Uma curiosidade: A Apple Computers nos primórdios não podia por razões contratuais e contingências judiciais, incorporar nenhum tipo de tecnologia musical em seus produtos. Isso mesmo, os computadores eram produzidos sem som! Tudo isso motivado por uma disputa judicial com a gravadora dos Beatles, a Apple records. Posteriormente, resolvida essa pendência judicial, a Apple e o iPOD se consagram com grandes vendagens e reconhecimento público.
O funcionamento dos players é muito simples. São aparelhinhos portáteis – os mais miudinhos cabem em qualquer bolso. Basta ter um computador, um programa de conversão para MP3 ou “baixar” músicas de MP3 pela internet e através de um simples cabo, fazemos a transmissão das músicas no aparelho.
O usuário deve levar em consideração a quantidade de espaço digital do aparelho. Quanto mais espaço, maior autonomia de armazenamento de músicas. Plugue um fone de ouvido, aperte a tecla “play” e curta o som
Os players mais sofisticados oferecem reprodutor de músicas, gravador digital, rádio, câmera digital, armazenamento de fotos digitais, agenda, edição sonora, relógio, calendário e acesso a Internet. Muitos músicos já utilizam os MP3 players para workshops, pré-produção, estudo, demo, divulgação e até gravação. Gerações de iPODS já foram lançados e se tornaram uma febre ao redor do mundo. Outros aparelhos genéricos estão disponíveis no mercado e a indústria de eletrônicos já produz sistemas de som compatíveis com o formato MP3.
Por enquanto, o celular é o aparelho mais cotado para se tornar um “cyber-multi-coisas-pessoais”, com direito a alta tecnologia de multi-bits, Bluetooth e etc.
As gravadoras sempre torceram o nariz com as facilidades da cybercultura.
A cybertecnologia possibilitou inúmeras vantagens para as bandas e artistas. Basta apenas um computador, bons softwares e a internet para produzir, gravar, divulgar músicas e conquistar usuários.
Quando artistas renomados, como David Bowie colocam a disposição na rede, um trabalho completo para download, mesmo estando vinculado a uma grande gravadora, é o início de uma nova era no mercado do business fonográfico.
Para quem não sabe, a Internet é um descobridor de talentos nesse conturbado mundo dos negócios. O americano Michael Robertson é o fundador do site www.mp3.com, um endereço de internet que listava vários artistas desconhecidos na época. Atualmente, são quase 40 mil links de artistas e selos com visitação 250 mil clicks diários. Robertson foi eleito recentemente, uma das 100 personalidades mais significativas do mercado musical. E o site de Robertson não conclama a pirataria, nem se faz de rogada – uma vez que repassa ao músico 50% do faturamento em forma de direito autoral.
No “cyberbusiness”, quanto mais se pensam nos processos técnicos para impedir ou dificultar acessos, mais técnicas de obstrução são desenvolvidas – uma batalha sem fim. As gravadoras já discutem os custos de produção, os músicos terão que questionar os royalties e o usuário já se acostumou e quer mais facilidades. Não somente na industria fonográfica, mas no cinema, em breve, as técnicas de compactação mudarão os rumos da arte, tanto na linguagem, no conceito e no principalmente no business. Hollywood que se cuide, porque isso vale também para as imagens, não somente para o som. Talvez em breve, CDs, DVDs, lojas de CDs, direito autoral e etc, será coisa de museu ou tema de filme do passado. Será???


...e tem gente que acha isso enorme...

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